A Incontinência Urinária é a perda involuntária de urina. Pode afetar cerca de 50% das mulheres adultas ao longo da vida, impactando de forma negativa a qualidade de vida das pacientes.
As causas são variadas e uma história detalhada pode ajudar a diferenciar problemas potencialmente reversíveis dos casos mais complexos ou mesmo que necessitem de cirurgia.
Fatores de risco para incontinência urinária
- Idade (3% das mulheres com menos de 35 anos e chegando a 38-70% das mulheres com mais de 60 anos)
- Obesidade
- Número de partos (além da quantidade de partos, o parto normal/ vaginal tem maior risco de evoluir com incontinência urinária no futuro)
- História familiar (em especial do tipo de urgência – explicação mais abaixo)
- Outros
- Medicações como diuréticos
- Demência
- Exercícios de impacto e esforço
- Tabagismo
Tipos de incontinência urinária
De forma simplificada podemos dividir as perdas como:
- Incontinência de Esforço
Como o próprio nome já sugere, é a perda de urina quando há esforço com aumento da pressão no abdome, como quando tossimos ou espirramos, e também quando estamos fazendo exercícios. É o tipo de perda mais comum na mulher mais jovem.
- Incontinência de Urgência
Mais comum porém não exclusiva das mulheres com mais idade. Surge com desejo incontrolável de urinar que pode levar a perda urinária, podendo também fazer com que a paciente acorde diversas vezes durante a noite para urinar. Surge da contração inapropriada da bexiga que pode aparecer em diversas doenças, sendo necessária uma boa investigação com história médica detalhada e por vezes a solicitação de exames adicionais.
- Mistas
Quando os tipos de perda estão combinados.
- Outros
Fístulas urinárias, transbordamento e as perdas insensíveis.
Como é feito o diagnóstico da incontinência urinária?
Como já dito anteriormente, informações muito importantes e por vezes definidoras de condutas podem ser obtidas já na consulta médica, por isso é importante detalhar bem quando as questões são levantadas, por exemplo, “o que você está fazendo quando perde a urina?”.
Além da história, o exame físico pode avaliar a presença da perda urinária, ele pode ajudar a diferenciar a perda urinária e como a mesma poderá ser tratada.
Nem sempre são necessários outros exames mas é comum o pedido de exames de urina, ultrassonografia com avaliação de resíduo e o estudo urodinâmico.
O estudo urodinâmico não deve ser feito de rotina, sendo reservado a casos mais complexos em que exista dúvida no diagnóstico, que já tenham passado por tratamentos anteriores e na suspeita de outros fatores associados.
O que posso fazer para ajudar no meu tratamento de incontinência urinária?
- Reduzir a quantidade de líquidos ingeridos antes de dormir (ATENÇÃO: não é deixar de ingerir líquidos! É cuidar da distribuição de quanto está sendo consumido ao longo do dia)
- Evitar alimentos e bebidas que você perceba que desencadeiam as perdas, como cafeína
- Perder peso quando necessário
- Controlar fatores como diabetes
- Procurar atendimento médico para auxiliar no diagnóstico e buscar um tratamento específico
Tratamento da incontinência
Começamos com o controle de fatores como a obesidade, constipação e tabagismo. Pode ser necessário o tratamento com estrogênio tópico para atrofia genital e até fisioterapia pélvica.
Para a incontinência de esforço pode ser necessário até a realização de cirurgias, a mais comumente indicada é o Sling, que consiste na colocação de uma tela que sustenta a uretra e evita a perda urinária, o procedimento tem elevada taxa de sucesso quando bem indicado.
Outros procedimentos também podem ser considerados conforme o caso.
Para a incontinência de urgência podem ser feitos tratamentos medicamentosos em associação a mudança de hábitos, conforme a avaliação médica inicial o uso de medicamentos pode ser indicado mesmo sem a necessidade de exames adicionais.
Tratamentos mais complexos podem ser necessários como o uso de Botox® na bexiga e até o uso de estimuladores elétricos implantáveis.
Lembre-se que um bom tratamento deve ser sempre individualizado e para isso é importante a avaliação médica!

